Novembro 24, 2009 por Luci
Ligo o computador e venho reclamar. Professor me liberou às onze horas, sujei meu tênis branco de novo, calor, cansaço, matéria às nove da manhã e sono. Muito sono. Trabalho de História sobre JK, esqueci de fechar uma matéria, uma pauta quase caindo, gente chata tocando nas feridas mais doídas. Tocando seria bom, diria esfregando caco de vidro mesmo.
O msn deu de atualizar, o twitter fica saindo do ar toda hora, a minha mãe assinou um plano de internet mais veloz e desde então não consigo ficar mais de uma hora sem que tudo dê pane. Calor de novo, borrachudos, alergia nos lábios, más lembranças. E mais badernistas.
Eu estava disposta a fazer um post melancólico no meu blog pessoal, dizendo o quanto a ordem das coisas está errada e o quanto eu preciso mudar. Mudar desde o penteado à maneira de receber boas notícias. Queria declarar estado de sítio aqui dentro, pedir um tempo para o mundo.
Diz que recebo um depoimento não-aceitável de palavras tão doces que aqui não precisam ser reproduzidas. Mais doçura aqui e ali, as pontas dos dedos voltam a obedecer, a mãe levanta para ver se estou bem. Estou viva. Estou feia e arrogante como sempre, cheia de motivos para ouvir o Hard Day’s Night.
Bom, acho que por hoje eu não vou reclamar. Talvez eu não reclame mais, eu não preciso mais disso. Os tempos são outros, as pessoas são novas, a vida continua de uma forma melhor. Espero que vocês também se sintam bem com o rumo das coisas e com os Beatles.
2010 vem logo aí e, sei lá, é bom estar de volta.
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Novembro 22, 2009 por Marina Dias
Era a primeira pessoa que todos viam ao chegar à casa da esquina. Ele sempre estava no mesmo lugar, na poltrona de couro que ficava de lado pra porta da frente. Gostava de olhar o movimento e ai de quem entrasse pela cozinha. Eu era bem criança, mas já tinha aprendido que tinha que passar por ali antes. Só entendia o que ele falava porque sempre dizia a mesma coisa: “Como tá bonita!” Só dava pra entender “Omo á niiita!” E com suas mãos enormes, ele pegava a minha – pequena e roliça – e dava um beijo. Então eu podia brincar. Achava que ele falava daquele jeito porque era velhinho, que todo mundo ia ficar assim um dia. Também admirava o tamanho de suas orelhas. Eram enormes!
Um dia eu cheguei à casa da esquina e ele não estava lá esperando. Estranho para aquela hora do dia. Havia um silêncio, um murmúrio, um lamento distante. Eu ainda era muito alheia à tudo isso. Tinha o que? Uns quatro anos. Cinco, no máximo. Segui alguém que estava cuidando de mim no dia. Ainda não saía por aí sozinha, apesar da casa da esquina ficar a exatos noventa e oito passos da minha. (Isso antigamente, quando aquele lugar ainda era meu. A distância não mudou e a casa continua ali, na mesma esquina, mas ela já não existe. Nem cheira a café com bolo de fubá no fim da tarde).
Entrei no quarto. Gostava daquele. Tinha a radiola gigante com uns botões brancos que a vó usava de cômoda e o porta retrato vermelho com aquela foto da minha prima. Na altura dos meus olhos, um colchão d’água. Parecia aquelas bexigas que a gente enche pra jogar nos outros. Adorava bexiga d’água. Eu estava frente a frente com uma bexiga enorme, cheia de água e prestes a explodir, porque tinha um homem deitado em cima. E eu fiquei brincando quieta no cantinho, pra não atrapalhar quem estivesse dormindo ali. Quem cuidava de mim não parecia muito feliz, murmurava qualquer coisa. Eu também nem estava prestando atenção, me interessava mais o colchão d´água.
Só depois fui perceber que era ele quem dormia naquele quarto. E depois desse dia, a cadeira de couro que ficava de lado pra porta ficou vazia.
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Novembro 21, 2009 por Vitor Oshiro
Do mesmo jeito que tem gente que vê a Virgem Maria em um pão embolorado e a imagem de Jesus nos poucos fios da semi-careca do tio, o casal inglês Dawn Kelley e William Hickman, ao verificar o ultrassom do filho que irá nascer, viu nada mais nada menos que… tchã tchã tchã… MICHAEL JACKSON!

Do Londrix
Se eu fosse os pais da criança, ao invés de comemorar, eu estava é dando um jeito de tirar o meu bebê de perto dele…
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Novembro 19, 2009 por Letícia Nascimento
Não queriam mudar nada. Nem peso, nem cara, nem cor, nem casa. Não que fosse tudo interessante. Nem animado, nem sossegado. Não que fosse tudo fácil e bonito. Nem colorido, nem sensacional. Mas era infinito.
Eles não pensavam em como ia ser o amanhã. Gostavam de falar sobre tudo. Só sabiam o que não queriam fazer. Sofrer, matar, cansar. Isso não podia. Correr, brincar, amar. Isso era delícia. Eles não queriam fingir. Eram inconstantes.
Tinham nome, sobrenome, roupa, comida, chinelo. Tinham fome, sede, vontade. Mas do que não existia. Não queriam julgamento, também. Por isso não julgavam. Todo dia, quando o sol os acordava, pensavam na chuva. Quando era o contrário, queriam a lua.
Não ligavam pra dor e sentiam todos os cheiros. Ociosos, atrasados, sedutores. Eram solteiros. E ninguém se importava. Ninguém queria, realmente, saber o que faziam. Comuns! Tão iguais a todos os outros. Mas não eram. Não porque tentavam se diferenciar. Simplesmente acontecia. E a vida deles era a mais intensa e desejada na atmosfera terrestre.
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Novembro 14, 2009 por Marceleza

A imagem é auto-explicativa. Sem ser nessa, mas na próxima quarta (25) eu, Felipe Melhado e Maria Clara Martins, todos do terceiro ano noturno de Jornalismo da UEL, reuniremo-nos na Vila Cultural Alma Brasil para exibir e discutir a produção brasileira de João Batista de Andrade, O homem que virou suco (1981). A proposta nasceu de um projeto final de ementa na disciplina de Comunicação Popular e Comunitária e pretende substancial análise do conjunto de especialidades sociais do Trabalho e do Cotidiano, tomando por base Agnes Heller. No entanto, novas discussões podem e devem ser feitas a partir do filme, cabe a quem for participar. Compareçam!
Braça.
Obs.: alteramos a data de exibição para estudarmos melhor a discussão que será feita no dia. É isso aí, té mais!
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Novembro 12, 2009 por Letícia Nascimento
Sorte e talento. Jim Marshall teve isso e um pouco mais: contato. O fotógrafo americano ficou mundialmente consagrado ao registrar momentos, poses e farras dos maiores ídolos da música. Ele lançou, recentemente, o livro “Trust: Photographs of Jim Marshall”. O cara é bom e só pegou os melhores:

Essa foto de Johnny Cash é usada até hoje por sua gravadora. Ela foi tirada em 1969 na prisão de San Quentin

O prestígio de Marshall é tão grande, que ele foi o único fotógrafo que teve acesso para registrar o último show dos Beatles, em 1966

Marshall confessa que Janis Joplin era uma de suas pessoas preferidas para fotografar, pois ela não tinha medo da câmera. Essa foto foi feita no backstage de um festival em 1968

Mick Jagger e Keith Richards permitiram que Marshall tivesse acesso livre ao estúdio durante a gravação do álbum "Exile on Main Street" em 1972. O fotógrafo diz que nunca encontrou uma dupla tão em sintonia como eles

O fotógrafo classifica Bob Dylan como um enigma e diz que essa foto foi feita de maneira espontânea numa manhã de 1963 em NY. E que, ao contrário do que muita gente pensa não foi inspirada no hit "Like a Rolling Stone"
É, são poucos os que conseguem essas façanhas de Marshall. Talvez nem exista essa “alma” quase palpável na maioria dos artistas de hoje. Mas que o cara é O cara, isso é.
As fotos e legendas estão no site Colheirada Cultural.
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Novembro 6, 2009 por Letícia Nascimento
Ela tem 39 anos, duas filhas e marido, mas queria ganhar a fantasia de coelinha. Tirou a roupa com classe, pediu o mínimo de retoque e já se arrependeu, apesar de só ter vergonha do porteiro. Fernanda Young é a capa da edição de novembro da revista Playboy.

É, a revista é masculina, as mulheres estão peladas. Não, não vou descer a lenha na irritada Fernanda, nem criticar todas as mulheres que resolveram exibir seus corpos mundo afora, de fora pra dentro. Elas ganham uma grana absurda pra fazer isso, muitas gostam da nudez, outras consideram arte, e tem quem queira ser eternizada por vender mais exemplares que a “gostosa” anterior. E o ser humano é livre pra fazer o que bem lhe apetece. Se escancara o que Deus ou a ciência lhe deu, é porque quis assim. Não somos ninguém pra julgar ninguém, no final das contas.

Das poucas fotos que vi do ensaio da Young gostei de todas. Está bonita, com suas sardas e tatuagens a mostra, com a perna fina, fora do esteriótipo de mulher brasileira perfeita que a sociedade idealiza. Por sua coragem, bom gosto e intelecto – e isso não vai mudar só porque ela está nua em revistas – Fernanda Young ganha o post de hoje no Gonzada.

E você, o que acha? Fernanda deu uma boa capa da Playboy? Esse tipo de nudez é artística?
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