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O dia Mastroianni

Faz algum tempo que eu penso em algo pra escrever aqui. Não queria voltar com qualquer coisa sobre nada, que é o que eu já tenho feito muito mal e porcamente lá no meu blog.

Então ontem eu li esta crônica e me lembrei deste escritor aí, o João Paulo Cuenca. No começo das aulas do ano passado, a professora de Português – a Patrícia – disse que nos avaliaria através de ensaios que nós deveríamos entregar a cada bimestre. Em uma lista de 90 livros, cada pessoa da sala escolheu 4: um nacional, um estrangeiro, um clássico e um contemporâneo. É, acho que era isso. Como eu passei na sexta chamada e cheguei pra fechar a turma, todos já tinham escolhido seus livros. Escolhi entre os poucos que sobraram. “Morangos Mofados”, do Caio Fernando Abreu, “O Livro dos Seres Imaginários”, do Borges, “Dom Casmurro”, do Machado e “O Dia Mastroianni” que foi quando eu ouvi falar pela primeira vez do João Paulo Cuenca.

Descobri que se trata de um autor dessa nova geração da literatura brasileira e que tem dois romances publicados. Além de “O dia Mastroianni” tem “Corpo Presente”, o primeiro. Cuenca participa do projeto Amores Expressos, onde cada escritor – são 16 – vai pra uma cidade diferente do mundo e inspirado nela, deve escrever uma história de amor. O romance de João Paulo Cuenca através do Amores Expressos se passa em Tóquio, mas ainda não foi lançado.

Imagino que você que está lendo isso já tenha ido pra praia, tomado um torrão em algum lugar improvável e agora dedica seus dias a encher a cara no Valentino e no Pé na Cova e pretende ficar sem fazer absolutamente nada nesse mês de férias que ainda resta. Faz o seguinte: vá ao shopping Catuaí, Livrarias Porto e no começo daquela prateleira que fica à esquerda de quem entra ta escrito “Literatura Nacional”. Ta lá em algum lugar o livro com uma capa muito bonita chamado “O Dia Mastroianni”.

Engraçado que apesar de ter lido em dois dias – é bastante divertido, tem passagens que parecem ser tiradas de sonhos e dá a impressão ter sido escrito pra ser um filme – eu demorei uns dois meses pra começar a escrever o tal do ensaio. Comecei depois de assistir “Curtindo a Vida Adoidado’. É porque “O Dia Mastroianni” tem algo Ferris Buller de sair por aí aproveitando a vida. Recomendo o livro. E também que vocês saiam por aí aproveitando a vida.

Final de janeiro e parece que foi ontem que o Gonzada foi abandonado.

O tédio das férias só me deixou “pensar” em falar sobre o Globo de Ouro. E pra não ser uma má futura jornalista, resolvi escolher apenas um ganhador que conheço bem: Glee. O seriado ganhou o prêmio de melhor comédia/musical e achei o máximo!

Pra quem nunca viu ou ouviu falar, Glee é o nome da série musical americana, que mostra um grupo de adolescentes que representam esteriótipos – o gay, a gordinha negra, a japonesa esquisita, a menina que ninguém gosta, o deficiente físico – que participam de um coral no colégio. O professor (Matthew Morrison), super boa pinta e dedicado, resolve trazer alguns alunos populares para participar da brincadeira. Tem uma professora vilã (Jane Lynch) – sem dúvida um dos grandes trunfos da série – chefe das cheerleaders, que quer roubar todo o patrocínio do coral e por aí vai.

Você pode ter pensado que essa é mais uma porcaria para adolescentes feita pelos americanos, sem graça, nem sal, nem açúcar e que mais clichê que isso só a Malhação – que, desculpa a ironia: ainda existe? Mas, caro leitor, Glee pode te surpreender, pois também me surpreendeu. Os primeiros episódios são recheados de bons cortes de câmera e flashbacks, que prendem o telespectador, além de contar com um roteiro super equilibrado, irônico e, claro, uma trilha sonora perfeita, com grandes clássicos e sucessos atuais executados pelos jovens talentos – com destaque para Amber Riley, a Mercedes e Lea Michele, a Rachel.

O interessante é que eu ficaria um bom tempo falando bem de Glee, mas acredito que quem acompanha a série já sabe de seu potencial. E se você não acompanha ou nunca ouviu falar: fica a dica!

Tá, talvez seja apenas mais uma daquelas pesquisas bizarras ( quem nunca ouviu falar da que relacionava suicídio com a quantidade de música country?). Mas lá nos anos 60, um pesquisador chamado Walter Mischel pegou criancinhas de 4 anos, colocou numa sala e disse:

Olha pirralho, eu tenho que sair e só volto daqui uns 20 minutos, mas se você aguentar não comer esse chocolate que tá aí na sua frente, eu te dou outro.”

É uma tal de capacidade de adiar a gratificação. Se você se interessou e quer saber mais sobre o assunto, dá uma pesquisada no nome do cara aí. O caso é que ele continuou analisando as crianças, e as acompanhou durante mais de 15 anos. O resultado?

As que conseguiram esperar foram adolescentes mais sociáveis , equilibrados e com maior probabilidade de atingirem suas metas na vida. Tá, faz algum sentido.

Mas a graça do post (pelo menos a intenção foi essa) é mostrar um vídeo. Resolveram reproduzir o teste com marshmallows. E, gente, é a coisa mais fofa! Pra assistir soltando “ouns”! Confira:

O loirinho que fica cheirando o marshmallow me quebra, Brasil. Fofo demais!

Você é bonito? Tem dúvidas quanto a isso? Se achar que sim, é só mandar seu nome completo, email e uma foto para o site de relacionamentos Bealtiful People. Se for aceito, parabéns! Você participará da rede de namoros mais idiota da atualidade.

A rede social foi criada em 2002, na Dinamarca, mas só chegou ao Brasil no ano passado. A ideia é simples: manter apenas pessoas que sejam consideradas, pelos próprios bonitões que dela participam, bonitas. A votação, que dura até 48 horas, é expressa por uma “barra de aceitação” – se você estiver bem na fita, o cursor da barra desliza para a esquerda e fica no verde; se você estiver mal, fica no vermelho e vai pra direita. O próprio site afirma que, com essa ideia, encontros poderiam ser marcados mais facilmente, já que todos seriam “bonitos”; não exisitira também o “terrível” receio de sofrer cantadas de algum desprovido de beleza. Atualmente, o Bealtiful People tem cerca de 500 mil membros e já rejeitou cerca de 1.8 milhões em todo o mundo (que rigoroso critério de seleção, heim!), sendo que, no período entre o Natal e o Ano Novo, 5 mil membros foram sumariamente expulsos por terem “exagerado” na tradicional comilança de fim de ano. Os “sagazes” vigilantes do site descobriram o “abuso” dos usuários após estes postarem fotos nas quais apareciam comendo ou próximos às mesas cheias de comida. O Brasil está entre os países que mais têm membros aceitos.

Eu fico imaginando o tanto de gente que falsifica fotos para mandar para esse site. O pior, entretanto, não é esse comportamento, e sim o rumo que a internet está tomando. Não quero nem imaginar o tipo de sites de relacionamento que teremos daqui a algumas décadas. A necessidade cada vez mais evidente de chamar a atenção devido ao sentimento de solidão generalizada de muitos dos atuais navegadores sustenta a hipótese de que os sites de relacionamentos caminham para um rumo, digamos, sombrio.

Na primeira tarde de 2010, às 16h08, uma notícia realmente impressionante foi veiculada pelo portal paranaense Bonde: o primeiro parto de 2010 em Londrina – é isso mesmo, o primeiro parto. Confira ou leia por aqui mesmo:

Nasce o primeiro londrinense de 2010

Ano novo diferente para toda uma família. ‘Apressadinho’ nasceu às 3h48 de parto cesariano e com 2,135kg. Em Curitiba, uma criança nasceu às 0h26

Nasceu às 3h48 dessa sexta-feira (1), o primeiro londrinense do ano. Trata-se de um bebê do sexo masculino.

A criança nasceu com 2,135kg. O parto cesariano foi realizado na Maternidade Municipal e, segundo a direção da unidade, mãe e filho passam bem. A família pediu para não ter os nomes divulgados.

Em Curitiba

O primeiro nascimento do ano, em Curitiba, ocorreu à 0h26 deste dia 1º de Janeiro. Evelyn Kauany é a primeira filha de Franciele Osório de Faria (22). A criança nasceu na maternidade Nossa Senhora das Graças (com rádio CBN Curitiba).”

Adeus, ano velho.

Até meia-noite você pode por capricho apoiar-se sobre a cama e pedir perdão ou apenas pedir por pedir que o ano seguinte não seja uma progressão geométrica de todos os problemas e anos anteriores da sua vida. Saúde, felicidade, amor, dinheiro e coragem. Acaba a contagem do 10 e AMÉM: você abraça a todos e fim de história.

Agora assista.

Quando surgem casos como este é sempre o mais do mesmo, já antevia Renato Russo.

A galera do Twitter se rebela e pede por “#foraboris” nos Trending Topics. No Orkut já nascem as primeiras comunidades contra o apresentador e no MSN são adotadas nos sub-nicks frases de justiça social como se quem as fizesse jamais tivesse tido um ato de preconceito. Antes que eu me engane, respondam: quem dos playboys e dos bem nascidos que leem este texto jamais ouviram/contaram e mijaram nas calças com piada de preto, pobre, judeu, português ou homossexual? Michael Jackson comia criança, era branco e feio. Um monstro. Ele morreu, e aí? “Nossa, que perda”; “Ele era genial e foi injustiçado”; “Ele não merecia, era maltratado pelo pai na infância”. É o fluir das nossas ideias em diferentes momentos e estados de espírito que me come o rabo com caco e pó de vidro e também me dá apetite para rir enquanto todos choram. Dia após dia há preconceitos muito mais graves e velados, mas ninguém se importa. O que nos incomoda é o que nos atinge ao alcance do ouvido e o que fingimos acreditar.

Apenas para esclarecer: não acho legal e concordo em gênero, número e grau com todos que criticaram a atitude do apresentador. Porém, controlemos um pouco o nosso juízo provisório e cristalizado de justiça antes que gladiemos aos outros ao mesmo tempo que a nós mesmos.

Feliz ano novo é a mãe de quatro.

Boa ação de fim de ano

Esta é a Mocinha:

Quando a última cadela que tinha aqui em casa morreu, meu pai quis arrumar outro cachorro. Por meio de conhecidos de amigos, meu pai soube da Mocinha – que se chamava Susi – e a adotou. Era uma cadela abandonada, bem feia. Ainda não é bonita, pra falar a verdade. Tem uma cara engraçada, parece os cachorros da UEL, mas a gente ama tanto que chega a ficar bonita. Ela chegou aqui com medo, era bem arisca. Deve ter sofrido um bocado já.

Depois de duas semanas aqui em casa, a Mocinha ficou prenha de um cachorro tão vira-lata quanto ela que veio visitar. No dia 25 de novembro, a Mocinha deu cria. Dez cachorrinhos. É incrível imaginar que cabem dez cãezinhos num corpo tão pequeno. Cinco deles são malhados, quatro são pretinhos e um é meio marrom, meio preto. Puxou a mãe. Seis machos e quatro fêmeas:

Pois bem. Os cachorrinhos são lindos, mas crescem. E mamãe não é muito chegada em ter bicho sujando o quintal dela, quanto mais onze bichos. Nós vamos ficar com um aqui em casa e outros dois já têm seus donos esperando que eles desmamem. Mas ainda sobram sete. A gente não quer nada em troca, só a certeza de que eles vão ser amados e bem cuidados.

Quem quiser adotar um vira-latinha, é só mandar um e-mail para marinacdias@gmail.com.

Feliz ano novo pra vocês aí.

Boas entradas

É o que desejo a você, meu caro leitor.

Quatro vezes

Marta é tetra

A jogadora de futebol Marta Vieira da Silva venceu, pela quarta vez consecutiva, nesta segunda-feira, 21 de dezembro, o prêmio de melhor jogadora do mundo pela FIFA. A entrega do prêmio ocorreu às 18h00, horário de Brasília. Ela, que atua no Los Angeles Sol (EUA) e atualmente está emprestada ao Santos, tem apenas 22 anos e já superou Ronaldo e Zidane, que venceram três vezes o mesmo prêmio da categoria masculina. Mas essa vitória da jogadora foi simples. Mais difícil do que isso seria conseguir alavancar o futebol feminino no Brasil.

A realidade é dura para as atletas brasileiras. Os times brasileiros, salvo algumas excessões, são pequenos, desestruturados e carentes de investimentos de agências e parceiros. Mesmo assim, a seleção brasileira, com a grande maioria das suas jogadoras atuando no exterior, conseguiu o segundo lugar no Mundial de 2007 e prata nas duas últimas edições das Olimpíadas.

O maior campeonato em nível nacional – a Copa Brasil de Futebol Feminino – só foi criada em 2007; a Copa do Mundo, apenas em 1991, sendo que a masculina existia desde 1930. O esporte é levado mais a sério nos Estados Unidos e na Alemanha, ambos países bicampeões.

Quem é mulher e quer viver de futebol dificilmente conseguirá ser lembrada aqui no Brasil. Um misto de preconceito, machismo e subestimação. De quantas “Martas” e de quantos títulos mundiais será que precisamos para mudar esse quadro?

Esse ano não tem árvore. Simples assim. Difícil esquecer os anos com presépio, uma árvore em cada cômodo e toda aquela frescura natalina. Das 20 casas da quadra, apenas uma está enfeitada com os tradicionais pisca-piscas. Antes eram maioria e por anos a pintura gasta daqui teve marcas de um enfeite que não existe agora. Magia, encanto, tradição. Não tem mais.

O Natal sempre foi uma festa arrasadora e preparada com muito cuidado. Eu e minha mãe começávamos a selecionar o que entraria na decoração em setembro. Éramos craques nisso. Nada no mundo nos superava em termos de preparação para a chegada do bom velhinho. Também era assim com a cesta para o coelhinho da Páscoa, com a fada dos dentes, para o dia das crianças. Não tem mais.

Nos últimos dois anos tenho sentido falta dessas coisas. Esse ano, com a gripe suína, custo acreditar que já vai ser Natal daqui quatro ou cinco dias. Não tem árvore, presépio, nem pisca-piscas. Alguma coisa – como o tempo – se perdeu. Não consegui um momento para parar e refletir sobre como seria interessante enfeitar o lar para esperar tal data. Não tive tempo e minha mãe também não. Fiz questão de observar a casa dela da última vez que estive lá: nada. Nenhuma folha, nenhuma bola, nenhuma miniatura.

O que houve com o Natal? Foi só para mim que ele se foi? É falta de tempo ou de vontade? Ou quando a gente envelhece não quer mais saber dessas baboseiras? Você tem árvore em sua casa? Devo me sentir mal? Afinal: é Natal? Pelo menos entendo o fim de ano como tempo de questionamentos. Talvez seja mais aceitável.

Ou não.

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